Me mandaram ver e eu fui ver. Era um bando de homens despidos e descalços, com as nádegas descobertas. Entre eles havia moços e velhos. Não era uma cena coletiva de exibicionismo. Não era também um desfile gay. Esta multidão de homens de nádegas para fora era formada de egípcios e etíopes. Eram prisioneiros de guerra. Estavam sendo levados por um general chamado Tartã para a Assíria. Tiraram-lhes as roupas para os humilhar ainda mais. Sargom, o rei da Assíria, queria exibir o seu poder e infundir terror.
Aquela cena de nudismo era também uma mensagem visualizada da parte de Deus. Ele queria mais uma vez destruir a esperança errada, a esperança frágil, a esperança vã. Em tempos de crise e de perigo, Israel estava pondo a sua esperança na glória do Egito e na glória da Etiópia. Para escapar da Assíria e do juízo da Deus, o povo escolhido precisava de arrependimento e conversão. Precisava de mudança de comportamento. Israel pensou que podia substituir o arrependimento e a conversão a seu jeito, sem se humilhar diante de Deus, sem alterar o seu estilo de vida, sem levar em conta o compromisso religioso. E não deu certo.
Agora Israel está vendo com seus próprios olhos não os homens com as nádegas de fora, mas a destruição de sua esperança. Aqueles vencidos e envergonhados homens de guerra eram o objeto de sua esperança até então. Uma esperança dramaticamente frustrada, seguida de desespero: “Como, pois, escaparemos nós?” (Is 20:1-6).
A mensagem das nádegas descobertas é também para os dias de hoje. Talvez ainda haja tempo para desistirmos de certas esperanças que tentam nos livrar do arrependimento e da conversão. Qualquer expediente que não remova o pecado não funciona, nem a médio nem a longo prazo. Quanto mais depressa se reconhece este fato, mais possibilidade de cura e de salvação há. Não adianta negar o pecado, não adianta fazer obras de misericórdia para contrabalançar o pecado, não adianta interpretar as Escrituras Sagradas de modo diferente para escapar de um Deus Santo e Justo, não adianta pôr culpa no diabo ou na sociedade para se apresentar como vítima e não como culpado, não adianta se esquecer do problema como se ele não existisse, não adianta ter “forma de piedade” sem o fruto do Espírito, não adianta empurrar o processo da expiação do pecado para as chamadas outras vidas ou reencarnações. O mais depressa possível, é preciso chegar, pela Graça de Deus, à mesma soleníssima pergunta que o autor da Epístola aos Hebreus faz: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2:3).
O desfile daqueles egípcios e etíopes de nádegas para fora precisa chocar também a geração atual, levando-a ao arrependimento e à conversão. Precisamos levar em conta o poder e o hábito que Deus tem de destruir as falsas esperanças do homem!
Pr. Maurício F. Morais, DD.
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